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Ideias

Diálogos sobre o feminino

25.08 a 28.08
16

Saiba mais sobre o workshop

Em agosto, as mulheres ocupam o Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília com a realização da jornada Diálogos sobre o Feminino, encontro organizado para debater a presença das mulheres nas artes contemporâneas no Brasil. O projeto inclui representantes das artes visuais, da história e crítica de arte, da literatura do teatro, do jornalismo, das ciências políticas e da sociologia. Performances artísticas entremeiam as atividades divididas em quatro eixos temáticos: Olha quantas mulheres na arte brasileira; Eu, feminista?; Corpolítico: corpo, identidade, performance, política e Black is beautiful – Beleza-arte-corpo-militância.

Programação Completa 

EIXO UM:

Olha quantas mulheres na arte brasileira

Tornou-se comum, aparentemente, a impressão de que o campo das artes plásticas brasileiras não foi acometido pelo mal da discriminação sexual, diferentemente, por exemplo, do que ocorreu nos Estados Unidos. Vez ou outra, esbarra-se no argumento que comprovaria e justificaria nosso “cenário positivamente incomum”: enquanto os norte-americanos construíram seu Expressionismo Abstrato com nomes masculinos, aqui, diferentemente, Lygia Clark e Lygia Pape estão dentre as figuras mais marcantes do Neoconcretismo; e, para voltar ainda mais na história, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, do Movimento Antropofágico.

Quais forças estão agenciadas em nosso país para manter o termo feminista apartado dos centros de produção de conhecimento, incipiente nas produções bibliográficas e esvaziado nos debates públicos a ponto de mantê-lo brumuroso o suficiente para ainda sofrer tamanha recusa? Quais as linhas discursivas e como estão tramadas para alimentar esse mito da democracia sexual na arte brasileira? Por que os esforços de pesquisa sobre as questões de gênero encontram-se majoritariamente circunscritos na área de Letras? Por que não há a mesma sensibilização a respeito da temática feminista nas artes plásticas no Brasil, ainda que qualquer sobrevoo aleatório sobre coleções privadas e acervos públicos de arte brasileira revelem a desproporção numérica aguda entre homens e mulheres que se inseriram e se consolidaram historicamente em nosso circuito de arte?

ATIVIDADES EIXO 1:

 

18h30: Performance

 

Silvia Moura (Ceará)

 

Título: À beira de

Sinopse: A artista entra em cena, dispõe objetos à beira de uma mesa e começa a dançar. O trabalho “À beira de…” (2014) trata especificamente de uma relação de causalidade provocada entre artista e plateia enquanto o solo é apresentado. É proposto que o espectador segure objetos que possam cair e ainda escolha que parte do trabalho deve ser iluminada, reforçando que a interação com a plateia é marca do espetáculo. Apropriando-se da palavra e de objetos íntimos, a artista constrói movimento, narrativas e memórias coletivas.

Duração: 40 minutos. Classificação livre.

19h30-21h30: Mesa-redonda

Mediação: Roberta Barros (artista visual e pesquisadora; UCAM – RJ; autora de Elogio ao Toque: ou como falar de arte feminista à brasileira, 2016).

Palestrantes: Heloisa Buarque de Hollanda (Ensaísta; crítica literária/UFRJ) e Luana Saturnino Tvardovskas(Unicamp, autora do livro “Dramatizacão dos corpos: arte contemporânea e crítica feminista no Brasil e na Argentina”).

Obs.: As artistas também estarão compondo a mesa.

Classificação livre.

*SEXTA-FEIRA 26/08

EIXO DOIS:

Eu, feminista?

“Você era homem, Mondrian, lembra-se?”* Este é um desabafo que Lygia Clark deixa escapar em 1959. Tão sutil que pode passar até mesmo despercebido ao leitor de seu texto Carta a Mondrian. Um tom bastante distinto do que pode ser sentido em exemplos históricos da arte internacional, principalmente norte-americana, com vários exemplos de militância feminista declarada e estratégias agressivas na abordagem das questões de gênero. As artistas no Brasil não experimentaram forma alguma de autoidentificação com as demandas feministas? Ou era mais difícil no Brasil mulheres, artistas, intelectuais sustentarem abertamente o engajamento em lutas feministas?

Com esta mesa-redonda, pretende-se provocar falas de artistas brasileiras sobre os volumes que assumem as relações entre as palavras arte e feminismo dentro do corpo de trabalho de cada qual; e, ainda, sobre como funciona atualmente essa negociação com o mercado de arte brasileiro em contraponto a como funcionou nos anos 80 e 90.

*CLARK, Lygia. Carta a Mondrian. In: FERREIRA Glória (org.). Escritos de artistas: anos 60/70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. pp. 46-49.

ATIVIDADES EIXO 2:

18h30: Performance

Bete Esteves (RJ) e Roberta Barros

Título: Passarelas

Sinopse: A partir de um acervo de cerca de 250 cartazes que tratam de temáticas relacionadas à defesa dos Direitos Humanos das Mulheres, produzidos pelo Movimento Feminista, pelo Movimento de Mulheres, por ONGs e Instituições públicas do Brasil e América Latina, serão propostas duas ações de transformação desse material.

Duração: 1 hora. Classificação indicativa: Livre

19h30 – 21h30: Mesa-redonda

Mediação: Roberta Barros (artista visual e pesquisadora; UCAM – RJ; autora de Elogio ao Toque: ou como falar de arte feminista à brasileira, 2016)

Palestrantes: Ana Maria Tavares (Artista plástica) e Simone Michelin(Artista plástica/EBA-UFRJ)

Obs.: A artista também estará compondo a mesa.

Classificação indicativa: livre

SÁBADO 27/08

Corpolítico: corpo, identidade, performance, política

O corpo feminino, tão estigmatizado na cultura visual ocidental, “de repente” foi reivindicado como arma e usado pelas militantes em suas contestações políticas. Assim, quando, a partir dos anos 70, o movimento feminista transborda para o mundo da arte, as mulheres começam a usar seus próprios corpos em performances, filmes, vídeos e fotografias, em lugar de apenas serem tomadas como modelos ou suportes em obras de artistas homens.

Por que a performance se apresenta historicamente como um meio estratégico para o empoderamento das artistas mulheres? Não seria a performance um meio reacionário por insistir no desejo de assegurar a presença do artista, e idealista, por corroborar com a reificação do corpo? As mulheres que apresentam ou representam diretamente seus próprios corpos em suas obras não estariam se traindo ao alimentar e ratificar a dinâmica falocêntrica do fetichismo, ao se colocarem como objetos para o deleite do olhar masculino?

Se as temáticas ligadas ao corpo assumiram, pois, a centralidade na teoria feminista e nos estudos de gênero, como definir que corpo era esse de que tanto se falava, falatório este que aqui nessa mesa se pretende aumentar/continuar? Quais as diferenças entre corpo biológicocorpo feminino e corpo feminista?

ATIVIDADES EIXO 3:

16h: Performances

Jaqueline Vasconcellos (SP)

Título: Não alimente os animais

Duração: 40 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Performer: Jack Soul Revenge Girl

Sinopse: O Corpo como alteridade do outro, o corpo QUE OLHA, como zoológico, animal e jaula. O corpo como estereótipo social. Alimentar humanos com meu corpo e continuar no procedimento. Essa performance faz parte da Série Mais um Pornô – arte, ativismo e encontro.

Laís Castro

Título: Fade Out do Olhar

Sinopse: O que nos contam as margens do olho? Fade Out do Olhar é o olhar do que está nas margens do que se vê e vive, nas beiradas e periferias. Ver o que está borrado e talvez não queira ser visto. Aqui entendemos periferia num sentido amplo, que se contrapõe à ideia de centro como uma construção social do que se privilegia, e é almejado: o cosmopolita, a riqueza, o prestígio, o célebre, o homem; a ação proposta é ver justamente o que está na periferia e que se julga como de menor importância: o rural, o suburbano, o pobre, o comum, o apagado, a mulher. Contamos com a colaboração da artista Bia Melo, que fez a captura e edição de vídeos, e do artista Galove que compôs a música e a ambiência sonora.

Duração: 40 min

Classificação livre

17h – 19h: Mesa-redonda

Mediação: Flávia Biroli(professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília e autora do livro Feminismo e Política, Boitempo, 2014)

Palestrantes: Viviane Matesco (historiadora e crítica de arte / UFF / autora de “Corpo, imagem e representação” (Zahar/2009) e Helena Vieira(transfeminista, dramaturga e articulista. Colaborou com a Revista Galileu, e atualmente escreve para o The Huffington Post e para a Revista Fórum. Compõe o ” Outro Grupo de Teatro”)

Obs.: As artistas também estarão compondo a mesa – Jaqueline Vasconcellos e Laís Castro.

Classificação indicativa: livre.

DOMINGO 28/08

EIXO 4:

Black is beautiful – beleza-arte-corpo-militância

Nos Estados Unidos, esse lema que pretendia dissolver a associação das características físicas de afrodescendentes (feições, cor da pele, tipo de cabelo) à feiúra, havia promovido uma rediscussão dos parâmetros de beleza que foi capaz de, em 1973, colocar uma modelo negra, Naomi Sims, pela primeira vez na capa da Revista Cosmopolitan. Em 1974, foi a vez de a Vogue americana estampar uma negra, Beverly Johnson, em sua capa. Apesar de a Vogue Brasil apenas ter reservado tamanho destaque a uma modelo negra, em 2011, com Emanuela de Paula, após trinta e cinco anos de edições brasileiras, o Black is Beautiful teria, já nos anos oitenta, afetado a relação das mulheres negras brasileiras com seus próprios corpos.

No espaço aberto por essa mesa-redonda, pretende-se traçar uma fenda política entre beleza e feiúra: a política se dá na divisão entre qual possui um discurso – a beleza – e aquela que não possui. A feiúra está fora do mapa. Nesse sentido, seria um equívoco assumir que a feiúra teria sido deixada de lado acidentalmente ou como resultado de uma espécie de cegueira burguesa. Faz mais sentido entender a feiúra como sendo posta no lugar em que não há nada para dizer a seu respeito. A beleza é boa, a feiúra é ruim: este é o tipo de oposição que não precisa de explicação, teoria ou debate. Mais ainda, esse é o tipo de ideologia que vem se assegurando nos corações e mentes de cada indivíduo. Isso significa que prestar atenção ao que é mapeado sob o signo da feiúra é inevitavelmente um ato político.

(BEECH, Dave. On Ugliness. In: Art Mounthly 344. Março 2011. p. 7.)

ATIVIDADES EIXO 4:

16h: Performances

Sandra Rodrygues (RJ)

Título:Práticas Rosas

Sinopse: A partir de rituais contemporaneamente caracterizados como femininos, a artista Sandra Rodrigues busca a interação com o público masculino por meio da experimentação direta de práticas cotidianas, em especial a depilação com cera.

Duração:40 min

Classificação indicativa: Livre

Coletivo Tres Pe

Título: Benignidade imerecida

Sinopse: A ação consiste em uma mulher de vestido que entra num espaço e se posiciona próximo a um jarro de vidro com aproximadamente 30 rosas. Ela abre o vestido, deixando o peito nu, pega uma das rosas e destaca um dos espinhos e espeta contra o peito fixando na pele. Sequencialmente ela repete essa ação até acabar todos os espinhos das rosas criando uma linha vertical de espinhos do pescoço até o umbigo. Os que não estiverem afiados são jogados no chão. Quando todos os espinhos forem retirados de uma rosa, ela estende a mão oferecendo a flor ao publico. A ação termina quando a linha atingir o umbigo. A mulher fica parada por cerca de 2 minutos, veste o vestido por cima dos espinhos e sai.

Classificação indicativa: 16 anos

17h – 19h: Mesa -redonda

Mediação: Roberta Barros (artista visual e pesquisadora; UCAM – RJ; autora de Elogio ao Toque: ou como falar de arte feminista à brasileira, 2016)

Palestrantes:Semayat Silva e Oliveira (Jornalista, Fundadora do “Nós, mulheres da periferia”/SP) e Berenice Bento(UFRN / Revista Cult)

Obs.: A artista também estará compondo a mesa.

Classificação indicativa: livre

TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS. PARA PARTICIPAR DAS MESAS-REDONDAS É PRECISO RETIRAR SENHA NA BILHETERIA COM UMA HORA DE ANTECEDÊNCIA.

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