Próximo
Anterior

Artes Visuais

Los Carpinteros: Objeto Vital

01.02 a 03.04
  • Horário

    de 09h às 21h

  • Ingresso

    Entrada Franca

  • Como chegar

    Visualizar
L

Saiba mais sobre a mostra

Exposição composta por mais de 70 obras de um dos coletivos de arte mais aclamados da atualidade. Por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design os artistas questionam a utilidade e exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social de cunho sagaz e bem-humorado.  O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para a exposição. A curadoria é de Rodolfo de Athayde.

Muito além da ilha, o coletivo cubano Los Carpinteros constrói arte política que diz sobre o mundo

Muito antes de Cuba experimentar uma abertura política maior e ganhar visibilidade no mundo, os cubanos Dagoberto Rodríguez, Marco Castillho e Alexandre Jesús Arrechea Zambrano, do coletivo Los Carpinteros, fundado em 1992, já haviam ganhado destaque internacional. O trio, que já expôs no Museu de Arte Moderna (MoMA), e em diversos outros países, chega a Belo Horizonte, depois de passar por São Paulo e Brasília, com a mostra “Objeto Vital: Los Carpinteros”.

O trabalho em arte contemporânea, desenvolvido pelos cubanos, lembra, a um olhar descuidado, o ofício da carpintaria. Esse caráter não é negado e está relacionado ao contexto e trajetória traçada pelos artistas. As primeiras obras foram criadas quando ainda eram estudantes, no Instituto Superior de Arte de Havana, a partir de madeiras que encontravam. Em Cuba, o nome Los Carpinteros foi ganhando adesão por várias pessoas e pelo havanês Gerardo Moquera, um crítico e historiador de arte, que acabou por consagrar assim o coletivo.

O título, empregado na exposição, guarda uma estreita relação com um movimento proposto pelo coletivo, que segundo Marco Castillo, caminha em uma direção oposta à das gerações anteriores. “Nossa geração se tornou muito utilitária, muito fascinada pelo artesanato, pelos ofícios e pela própria produção do objeto de arte”, comenta, em entrevista a Rodolfo de Athayde, um dos curadores da exposição. E é, por isso, talvez, a razão pelo qual o trabalho de Los Carpinteros seja intuitivo.

Na mostra Objeto Vital, os cubanos dizem, implicitamente, da relação que têm com artigos e materiais. Na Cuba socialista, fechada politicamente, muitos objetos e produtos eram restritos ao conhecimento da população cubana. O que não impediu os artistas de expandirem sua arte para o mundo. Ainda que muitos artigos e materiais fossem distantes de suas realidades, isso se tornou um ponto questionar a vitalidade daquele objeto, e do objeto como fruto da arte.

A arte que não desassocia das questões políticas e sociais

O coletivo é conhecido, também, por seu forte apelo social e pela crítica ácida. Através de suas obras, os artistas provocam uma reflexão a cerca da função e do objeto. Essa inquietação é fruto do contexto em que despontam, quando uma nova ordem mundial é estabelecida. É num momento delicado para Cuba que surge Los Capinteros. A ilha, que estava em crise, após a derrocada da União Soviética, passou a ser, mais do que a academia, a grande escola dos três artistas. Dela, o coletivo extraiu, através de um olhar ao passado, os costumes de tradições.

Para além de uma visão maniqueísta, a respeito do processo político da ilha, o coletivo Los Carpinteros destaca Cuba como um importante local para a formação artística. No período em que surge, como forma de superar o vazio cultural, após os anos 1980, o grupo elabora uma maneira de trabalhar. No início da década de 1990, o que estimulava os três artistas a criarem era, primeiro, segundo as palavras de Dagoberto Rodríguez, a missão de se salvarem. “A missão era nos salvar. Sobreviver como seres humanos e depois como artistas. A escola propiciava a perfeição dentro da busca do ofício e das tradições, houve um olhar voltado para o passado”, revela, em conversa com Rodolfo de Athayde.

Nesse tempo, ao fim da Guerra Fria, o norte, para o coletivo, passou a ser aquilo que tinha ficado para trás, escondido. A descoberta de Cuba, pelos artistas, embora tenham nascido e vivido na ilha, foi primordial para dar vazão à inquietação que residiam em si. Nesse processo, de desenredar a história, eles se depararam com uma Cuba aristocrática, avessa ao que o regime castrista apregoava. Na revolução cubana, parte da população, mais abastada, havia evadido a ilha. O que sobrou dessa classe, várias mansões, e locais como um Country Club, serviu de terreno fértil para as obras dos cubanos. As madeiras abandonadas, que encontraram nas casas, serviram como matéria para o trabalho que desenvolveram nesse primeiro momento, de surgimento do coletivo.

“Não nos interessava a Cuba do presente, mas sim olhar para o passado. Fomos pesquisar essa classe social que saiu de Cuba e o Country Club era isso. Íamos ao que eram o bar e o refeitório do Country Club, víamos a madeira e como era trabalhada, tudo isso nos servia de inspiração. Era uma parte que havia se omitido de Cuba, uma parte da cultura que haviam escondido da gente”, relembra Dagoberto Rodríguez.

Os três eixos da mostra “Los Carpinteros: Objeto Vital”

A exposição “Los Carpinteros: Objeto Vital”, a maior já montada pelo coletivo, em cartaz no CCBB Belo Horizonte, até o dia 3 de abril, é apresentada em três eixos. O primeiro, “Objeto de Ofício”, volta ao passado, ao começo da trajetória dos cubanos, para trazer a questão da manufatura artesanal de objetos, que tantos os inspiraram. No segundo eixo, “Objeto Possuído”, a territorialidade é um dos temas explorados, e está associada à representatividade do grupo, que desponta de Cuba para o mundo, falando, através de suas obras, de questões existenciais universais. Já na terceira apresentação, “Espaço-Objeto”, as questões anteriores são abordadas e inseridas dentro da realidade urbana. A funcionalidade do objeto é problematizada. Neste núcleo é dedicada atenção especial à arquitetura e às estruturas, temáticas constantes na obra dos artistas.

Los Carpinteros na imprensa

  • Reportagem “A ilha também se curva”, de Thiago Pereira (Jornal O Tempo – 30 de janeiro de 2017)

http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/a-ilha-tamb%C3%A9m-se-curva-1.1429270

“Em tempos estranhos como os que vivemos (os muros cinzas em São Paulo; o muro autoritário no México, os muros que erigimos entre nós mesmos), de sermos constantemente incentivados a privar o olhar ao outro, uma exposição como “Objeto Vital”, do coletivo cubano Los Carpinteros, que estreia nesta quarta-feira (1º) no Centro Cultural Banco do Brasil, pode se apresentar como um alívio e uma chance de sairmos de nos mesmos e voltarmos. Arte também é reflexão subjetiva, afinal.”

“‘Objeto Vital’ é a consagração de artistas que, há tempos, promovem um diálogo entre Cuba e o Brasil, já que Los Carpinteros tem uma profunda relação com o país.”

  • Reportagem “Coletivo de artistas cubanos Los Carpinteros expõe mais de 70 obras no CCBB” (Jornal Hoje em Dia – 31 de janeiro de 2017)

http://hojeemdia.com.br/almanaque/coletivo-de-artistas-cubanos-los-carpinteros-exp%C3%B5e-mais-de-70-obras-no-ccbb-1.442923

O mergulho na obra dos artistas contemporâneos é também um retorno na história recente de Cuba, que está em plena transformação. “Nós construímos uma plataforma de linguagem por meio dos objetos, porque cremos que eles falam. Então detectamos essa possibilidade em objetos inanimados. Como a roupa que veste pode dizer sobre o posicionamento político que tens”, elucida o artista Marco Castillo.

  • Reportagem “Desvio de Função” (Jornal Estado de Minas – 30 de janeiro de 2017)

http://www.uai.com.br/app/noticia/artes-e-livros/2017/01/30/noticias-artes-e-livros,200997/coletivo-cubano-los-carpinteros-ganha-exposicao-no-ccbb.shtml

“O gesto de criação de Los Carpinteros está impregnado pelo ato de subverter o pouco que eles têm a seu dispor. Daí vem o fato de a obra utilizar objetos cotidianos para ressignificá-los e boa parte das ideias ser materializada, primeiramente, a partir de desenhos, projetos ou aquarelas.”

  • Reportagem Subversão Cubana (Jornal O Tempo – 28 de janeiro de 2017)

http://www.otempo.com.br/pampulha/almanaque/subvers%C3%A3o-cubana-1.1428452

“Na primeira exposição a ocupar o CCBB BH este ano, após o sucesso de “ComCiência”, da australiana Patricia Piccinini, móveis parecem ganhar vida. Tecendo uma clara crítica ao fetichismo estético, a estrutura básica das cidades modernas é posta dentro de uma curiosa instalação e o discurso político é sutilmente subvertido.”

Robotica e VDNKh Toy

Robotica e VDNKh Toy, 2013 Madeira, metal e LEGO

Exposição Los Carpinteros

Cuarteto, 2011 Madeira pintada, metal e bronze cromado

Exposição Los Carpinteros

Sala de Lectura Estrella, 2015 MDF

Exposição Los Carpinteros

Un Minuto, 2002 Madeira e metal

Exposição Los Carpinteros

Cidade Transportada

Gostou do evento?

CCBB BHcomo chegar

Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

Praça da Liberdade, 450 – Funcionários CEP: 30140-010 | Belo Horizonte - MG (31) 3431-9400

ccbbbh@bb.com.brFuncionamento: de quarta a segunda das 9h às 21 horas

Transporte Público
Como chegar